31 julho 2011

Quem fica com a metade do bolo?



 
 
  Capa do jornal
• Você trabalhador conhece a saúde e a educação pública no país. Certamente já ficou indignado em um hospital ou escola pública.

Sabe que os hospitais estão lotados e que o atendimento é ruim. Deve ter alguém na família que não conseguiu ser atendido, com consequências sérias. Também conhece algum trabalhador da saúde e sabe que eles ganham pouco e trabalham muito.

Com toda certeza sabe da situação das escolas públicas. Você mesmo sofreu, assim como seus filhos hoje, com a qualidade ruim do ensino público. As escolas de seu bairro seguramente têm problemas com a conservação e com a segurança. Você vê os professores fazendo greve querendo salários melhores.

É justa sua indignação com a situação da educação e da saúde públicas. É claro que falta dinheiro para a manutenção e ampliação dos hospitais e escolas, assim como para aumentar os salários dos profissionais de educação e saúde.

É bem provável que apóie Dilma, como a maioria dos trabalhadores do país. E acha que ela não tem nada a ver com isso, ou que ainda não teve tempo para mudar a situação.

Mas ninguém disse a você que, com o orçamento aprovado por Dilma para seu governo em 2011, a situação dos serviços públicos vai piorar. O primeiro orçamento de Dilma separa 49,5% de tudo o que é arrecadado no país, entre impostos e taxas, para os banqueiros. Enquanto isso, apenas 2,92% vai para a educação e 3,53% para a saúde. Os seja, quem vai ficar com a metade do bolo são banqueiros.

Isso nunca aconteceu, é como se você tivesse entregando metade de todo seu imposto de renda e das taxas sobre os produtos que você compra para os bancos. É por isso que falta dinheiro para a saúde e educação.

Tudo isso deve ser uma grande surpresa. Afinal, Lula disse que "pagou a dívida" e que não devíamos mais nada. Mas isso, infelizmente, não é verdade, e agora o governo tem de esconder que a dívida está maior do que nunca, e para pagá-la tem de gastar metade do orçamento com os agiotas da dívida.

Na verdade o que o governo Lula fez foi aumentar as reservas internacionais em dólares, em um volume semelhante ao da dívida externa. Ou seja, as reservas do país seriam suficientes para pagar a dívida. Mas a dívida continua aí. Não foi paga, como dizem. A dívida externa continua altíssima e, pior, agora existe uma dívida interna ainda maior.

Os trabalhadores são sérios com suas contas. Quando você compra uma geladeira, um televisor, paga suas prestações. Os defensores do governo fazem essa comparação para defender que se continue pagando a dívida do país com os banqueiros. No entanto, existem duas grandes diferenças.

A primeira é que não existe uma “geladeira”, ou “televisor”. Não foram os trabalhadores que fizeram essa dívida, e ela não beneficiou em nada os trabalhadores. Ao contrário, nem você e nenhum trabalhador sequer sabe da existência dessa dívida, apesar de termos de pagar por ela todos os dias.

A segunda diferença é que essa é uma típica dívida de agiota, daquelas que quanto mais se paga, mais se deve. A dívida externa era de 148 bilhões de dólares no início do governo FHC. Em seus dois governos, FHC pagou U$ 348 bilhões, ou seja, mais que duas vezes seu valor total. Mas a dívida externa aumentou para US$ 236 bilhões ao final do governo FHC. Hoje está em de dólares 284 bilhões.

Em relação à dívida interna é a mesma coisa: era de R$ 670 bilhões no começo do governo Lula. Em seus dois governos, Lula pagou cerca de dois trilhões de reais em parcelas e juros aos banqueiros, ou seja, três vezes o valor da dívida que encontrou. No entanto, a dívida aumentou para outros dois trilhões de reais.

É como se um banco começasse a cobrar uma dívida a todos os moradores de seu bairro. Uma dívida que nenhum deles fez. Para pagar essa dívida, os salários dos trabalhadores são cortados, assim como o dinheiro para conservar as escolas e hospitais. Esse pesadelo é real: você está sendo roubado todos os dias em seu salário, na educação e na saúde pública a que tem direito, para pagar uma dívida que não fez.

Os defensores dos banqueiros dizem que não se pode dar um calote na dívida. Mas defendem o que está sendo feito hoje, que é um calote social. Existe um calote social de enorme crueldade, que sacrifica a vida, a educação e a saúde de milhões de trabalhadores para garantir que não haja um calote nos banqueiros. Os governos FHC, Lula e agora Dilma se recusam a enfrentar os banqueiros e preferem continuar sem investir seriamente na saúde e educação.

Você ainda acredita no governo Dilma. Mas pode e deve, junto conosco, exigir que ela pare de pagar aos banqueiros e destine já 10% do PIB para a educação como reivindicam as entidades da educação, como o ANDES-SN e a ANEL. Pode e deve, junto conosco, reivindicar um mínimo de 6% do PIB para a saúde. Assim as verbas para a saúde e educação poderiam ser mais que dobradas.

30 julho 2011

Por que o PSTU desperta o ódio da Globo e de Cabral?



• No dia 14 de julho, quinta-feira, durante entrevista em estúdio com a professora Beatriz Lugão, da Coordenação Geral do SEPE, a repórter da Globo preparou o terreno: “agora uma pergunta delicada”. A partir daí, em um curto espaço de tempo, foi disparada uma série de ataques a nosso partido, o PSTU.

Os apresentadores tentaram passar a imagem que a greve dos profissionais da educação estaria a serviço de candidaturas às próximas eleições municipais; citou supostas agressões ao secretário estadual de Educação, Sr. Wilson Risolia; e chegou a apontar a participação do PSTU nos atos contra Obama, afirmando um “descontrole” no protesto em frente ao Consulado. O pano de fundo era tentar uma desqualificação de nosso partido e da greve, uma das mais fortes já vistas.

Veja a entrevista


Os profissionais da educação saberão responder ao desrespeito com a categoria, saberão responder à tentativa da Globo de reduzi-los a ingênuos, a mera massa de manobra acrítica. A manutenção da greve e a conquista das reivindicações será uma boa e contundente resposta.

O ódio de classe nutrido contra o PSTU pela Globo, por Cabral, pelos ricos e poderosos é uma reação à política de nosso partido de ser um porta-voz dos anseios e necessidades dos trabalhadores e do povo pobre e ao fato de nosso partido ser parte integrante de suas lutas, mobilizações e reivindicações.

Temos orgulho de ter estado e permanecido ao lado dos trabalhadores e do povo pobre vitimados nas enchentes da região serrana. Junto com outros partidos e entidades políticas e sindicais ajudamos a materializar os comboios de solidariedade classista organizados a partir da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) que levaram mantimentos, remédios e água às vítimas. Mas levamos também a denúncia que mais que vítimas das chuvas nossos irmãos e irmãs trabalhadoras foram vítimas da irresponsabilidade dos diferentes governos – Cabral e Dilma entre eles – que não investiram em prevenção e ainda hoje deixam parte das vítimas sem apoio. Temos orgulho de hoje estarmos, junto aos desabrigados e moradores da região serrana lutando contra a corrupção nas prefeituras, e exigindo a imediata reconstrução dos bairros operários que estão abandonados pelo poder publico.

Quando Dilma promulgou o ridículo aumento do salário mínimo e os deputados aumentaram os próprios salários em 62%, nosso partido nas ruas exigiu aumento zero para deputados e 62% para o salário mínimo.

A mando de Obama e Dilma, o governo Cabral montou uma farsa tentando acusar o PSTU de ser uma organização terrorista. Agradecemos aos trabalhadores, aos intelectuais, aos democratas, aos partidos e dirigentes sindicais que se colocaram na intransigente defesa do nosso partido e de todos os perseguidos políticos durante a visita do presidente dos Estados Unidos.

Cabral tentou, com uma farsa jurídica, dar satisfações à Dilma e ao novo senhor da guerra – Barack Obama mandou para os presídios do Rio estudantes, professores, advogados, lutadores, que simplesmente defendiam nosso petróleo e os interesses do nosso povo. O PSTU se orgulha de ter estado à frente, com outros partidos, sindicatos e organizações do movimento social, das mobilizações que quebraram a tentativa de criar consenso em torno da visita do chefe maior do imperialismo. Fomos parte ativa em denunciar que Obama veio ao Brasil a convite de Dilma para arrancar garantias de posse do pré-sal para empresas ianques, para conseguir fôlego político para atacar a Líbia, para garantir a manutenção de tropas na ocupação do Haiti. Os protestos obrigaram Obama a abandonar a cerimônia na Cinelândia, e ter de se esconder no Theatro Municipal.

Antes mesmo de o Rio se tingir de vermelho com a força da luta dos bombeiros e do apoio da população, nossos militantes já levavam solidariedade à luta dessa categoria. O vermelho de nossas bandeiras tremulou junto às de outros partidos e sindicatos no acampamento da Assembléia Legislativa e estava na marcha dos 50 mil em apoio aos bombeiros e aos profissionais de educação. Temos orgulho de ter produzido um slogan que dizia “somos todos bombeiros”, e ter feito um adesivo e um cartaz defendendo a liberdade dos 439 bombeiros presos por Cabral , adesivo usado por dezenas de milhares de trabalhadores e estudantes que denunciavam Cabral como ditador do Rio e exigia reajsute para os bombeiros e professores.

Há anos o vermelho de nossas bandeiras é parte da luta dos profissionais da educação. Temos orgulho de ser parte de uma das categorias que mais luta em nosso estado. Estaremos comemorando juntos e orgulhosamente a vitória da greve.

Os ataques da Globo, as farsas jurídicas de Cabral não nos intimidam. Ao contrário, o temor que nossas poucas bandeiras causam nada mais é que o pesadelo constante dos ricos e poderosos: cedo ou tarde os trabalhadores e o povo pobre descobrirão o poder de sua unidade e saberão quebrar as correntes que os mantém presos à exploração. O vermelho de nossas bandeiras não os permite esquecer que a alternativa ao mundo deles, esse mundo de fome, miséria e violência que o capitalismo reserva, está mais viva que nunca. A alternativa é que nós trabalhadores tomemos nossos destinos em nossas próprias mãos e governemos nós mesmos, no socialismo com democracia.

Aos ataques e ao ódio da Globo, de Cabral, dos ricos e poderosos respondemos com uma certeza: nenhum passo daremos atrás!

Juntos, sendo parte dos profissionais da educação, respondemos a eles: A GREVE CONTINUA, CABRAL A CULPA É SUA!

Julho de 2011
PSTU Rio de Janeiro

25 julho 2011

Paul Krugman: "Podemos estar perto de reviver a crise de 1930"


Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava. O artigo é de Paul Krugman.

Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.

Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.

De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim.

Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.

Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.

Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.

De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.

Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.

Na quinta-feira, os “chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral.

Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit “em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor “antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países “com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.

Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?

Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: “Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua.

(*) Paul Krugman é professor de Economía em Princeton e Prêmio Nobel 2008.

11 julho 2011

OS DEZ MANDAMENTOS DA AUTORIDADE PÚBLICA!

por Chico Alencar (*)

Nosso Estado laico, advindo da República, tem raízes culturais da tradição judaico-cristã. Por isso, quando autoridades públicas flagradas em desmandos surpreendem ao pedir controles sobre sua atuação, cabe ir lá atrás e lembrar o capítulo 20 do Livro do Êxodo, do Antigo Testamento bíblico, escrito no ano 1.250 antes de Cristo.
Ali um Deus libertador, que ‘faz sair seu povo da casa da escravidão’, já oferecia a Moisés regras de conduta, um decálogo de princípios. Estes imperativos e proibições orientaram uma prática de vida que, atualizada, pode inibir a sucessão de transgressões à moralidade pública, corriqueira em nossa política contemporânea.
A releitura dos ‘Dez Mandamentos’ há de ser útil a qualquer autoridade brasileira, cingidas que estão aos preceitos constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência:

1. AMARÁS A PROMOÇÃO DO BEM COMUM, e não dos seus bens patrimoniais – “bezerros de ouro” da prosperidade particular -, com todo o teu coração e entendimento;

2. NÃO PRONUNCIARÁS A EXPRESSÃO ‘INTERESSE PÚBLICO’ EM VÃO, confundindo-a com a idolatria dos negócios privados;

3. GUARDARÁS NÍTIDA SEPARAÇÃO ENTRE DEDICADO TRABALHO E SALUTAR DESCANSO, desfrutando deste sem nenhuma vantagem indevida ou ‘mimo’ interessado derivado daquele;

4. HONRARÁS TODOS OS ANTECESSORES QUE, na vida pública,PRATICARAM A HONESTIDADE, o serviço, a defesa de causas de justiça para as maiorias desvalidas;

5. NÃO MATARÁS A ESPERANÇA DO POVO com práticas que degeneram o sentido maior da política, corrompendo-a pelo poder dissolvente do dinheiro e da hipocrisia;

6. NÃO COMETERÁS ATOS DE PROMISCUIDADE ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, ao manter relações impublicáveis de intimidade com aqueles que têm interesses em contratos do estado;

7. NÃO ROUBARÁS O ERÁRIO, em nenhuma das variadas e inventivas formas que a corrupção sistêmica criou: tráfico de influência, compras sem licitação, isenções fiscais sem critério, polpudas doações de campanha com retorno em obras públicas superfaturadas;

8. NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO nem obrigarás sua assessoria de imprensa a mentir para esconder viagens e relações que não resistem à transparência e aos critérios da moralidade administrativa;

9. NÃO COBIÇARÁS, fascinado pela ascensão à vida de luxo e prazeres, o que NÃO TE PERTENCE, nem darás a teus cônjuges, parentes consangüíneos diretos ou amigos privilégios e oportunidades que não são oferecidas às pessoas comuns;

10. ZELARÁS COM RIGOR MÁXIMO PELO PATRIMÔNIO PÚBLICOsobre o qual tens mandato e que transitoriamente gerencias.

* Deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ)

Chapa apoiada pela CSP-Conlutas vence eleição do maior sindicato do Estado do Amapá.


FORA A PELEGADA!!!!!!!!
Na noite do dia 29 de junho, antes mesmo de terminar a apuração geral, a chapa 1, já era considerada vencedora pela comissão eleitoral dada a ampla diferença de votos.

O SINSEPEAP (Sindicato dos Servidores Públicos em Educação do Estado do Amapá) tem 59 anos de história, desde sua fundação era controlada pelo mesmo grupo. Nos últimos anos estava à frente da entidade a Articulação Sindical, corrente sindical que sai em meio a vários casos de corrupção dentro no sindicato.

Uma eleição em meio a várias greves da Educação

Nos últimos meses, a exemplo de vários estados do Brasil, o Amapá também foi palco de várias lutas em defesa dos salários e direitos dos trabalhadores em Educação e na busca de uma Educação pública gratuita e de qualidade, foi dessa forma  que os militantes da CSP-Conlutas atuaram e foram decisivos na condução do processo que acabou desvendando o caráter governista e oportunista da direção ligada à CUT.

A greve dos trabalhadores em Educação de Macapá foi dirigida pelos militantes da CSP-Conlutas e arrancou o reajuste de 19,5% e no Estado a luta e engajamento dos militantes da Central Sindical e Popular conseguiram terminar de forma vitoriosa a greve Estadual.

A CSP-Conlutas dirigirá a maior Executiva Municipal do estado

Na capital, a Executiva Municipal terá como vice-presidente o auxiliar educacional Ailton Costa, militante do PSTU e dirigente sindical da CSP-Conlutas. “O nosso trabalho de base foi fundamental para garantir a vitória”, disse Ailton. Também na Executiva Estadual teremos representantes, o diretor de política e formação sindical e a diretoria de Gênero e políticas sociais, sobretudo no momento em que crescem os casos de machismo em um setor predominantemente composto por mulheres.

A direção eleita terá a tarefa histórica de reorganizar a entidade e recolocá-la no campo das lutas com independência de classe e para isso será importantíssimo discutirmos com a base o papel das centrais sindicais governistas, principalmente por que o SINSEPEAP ainda é filiado a CUT.

Almir Brito – Professor e dirigente sindical da CSP-Conlutas no Amapá

Na mira da mídia 1 - Escândalo na Alepa: "Imunidade não é impunidade"

Deu no blog do Edmilson:


Investigações
Edmilson Rodrigues volta a defender CPI e diz que chegou a hora de Juvenil


O deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), autor do pedido de apuração das fraudes na Assembleia Legislativa do Estado, junto ao Ministério Público do Estado e à Polícia Civil, defende que chegou a hora do ex-presidente da Casa, Domingos Juvenil(PMDB), ser denunciado à justiça, já que o peemedebista está sem mandato e não possui foro privilegiado. E mesmo em relação ao senador Mário Couto (PSDB), outro que presidiu a Alepa e também teve a gestão posta em cheque, Edmilson aponta que a “imunidade não deve permitir a impunidade”. Em entrevista à jornalista Enize Vidigal, ele defende a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos envolvidos nas irregularidades e cobra das autoridades a prisão do ex-diretor financeiro da Alepa, Sérgio Duboc, que teve a preventiva decretada, mas está foragido. Edmilson afirma ainda que a base de sustentação do governo no Legislativo boicotou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta por ele, mas o deputado crê que a CPI ganha ambiente mais fértil, no próximo semestre, com o avanço das investigações do MPE e as constatações que virão à tona através do Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Receita Federal. A proposta de CPI foi formalizada em 22 de fevereiro mas, até o início do recesso parlamentar, tinha alcançado 11 das 14 assinaturas necessárias.

A CPI sofreu boicote?

Tenho clareza de que houve um boicote da bancada majoritária, que dá sustentação ao governo. Isso se deve à citação de deputados com mandato em depoimentos dos que hoje estão denunciados na Justiça ou, porventura, dos [deputados] que participaram da gestão do Juvenil ou do Mário Couto e, por serem membros da Mesa (Diretora da Alepa), assinaram e têm responsabilidade por alguns procedimentos administrativos fraudulentos. Acredito que essa situação criou um imbróglio impeditivo da CPI. Há um receio de que a CPI acabe por atingir apoiadores do governo, como o PMDB, por ser uma grande bancada da base de sustentação. Ao não instalar a CPI, a história do Poder Legislativo do Estado fica maculada indelevelmente. A imprensa e a sociedade estão cumprindo o seu papel pressionando e o Ministério Público está cumprindo o seu papel a contento, ainda que precise dar passos maiores para chegar aos verdadeiros mandantes do crime.

04 julho 2011

3º CONGRESSO DOS EMPREGADOS DO BANCO DA AMAZÔNIA.

Ocorreu neste final de semana, com a abertura na sexta-feira e prosseguindo no sábado, o 3º Congresso dos Empregados do Banco da Amazônia, no Hotel Beira-Rio.  Um evento de extrema importância para a categoria do BASA,  onde seriam debatidos e retiradas propostas para a Campanha Salarial deste ano. Mais de 50 bancários de várias regiões do Pará e de outros estados compareceram ao evento. Sendo que deste, apenas 45 eram delegados eleitos em suas bases.
No primeiro momento, logo no inicio do evento, no credenciamento, houve um debate sobre os delegados do Amazonas, que segundo os organizadores do evento(Contraf-Feteccn e SEEB-PA) os mesmos não poderiam ser delegados em virtude de não ter sido enviado a relação com os nomes para o SEEB-PA. Um absurdo, pois ficou comprovado que os delegados do Amazonas estavam legitimamente eleitos em suas bases, o que o sindicato burocrático do Pará estava negando isso.
Após resolver esta pendenga, vale destacar, por pressão da maioria dos delegados presentes, foi dado o encaminhamento pela mesa da separação em grupo com os temas: Saúde e Condições de Trabalho; Emprego e Remuneração e PCCS. Dentre as proposta que foram apresentadas durante o Congresso e que foram aprovadas pela plenária, destacamos:
- novo PCCS, eixo central da Campanha Salarial no Banco da Amazônia
- Possibilidade de encarreiramento do quadro de apoio e acesso a todas as funções;
- Piso de salário do Dieese de R$ 2.255,00;
- TC`s: Implantação do piso mínimo da categoria profissionais;
- Possibilidade imediata do quadro de apoio ter acesso as demais funções comissionadas;
- Elevar o piso dos TB`s para o mesmo patamar dos demais Bancos Federais;
- Salários iguais para os Supervisores de Agência com os Supervisores da Matriz.
Emprego e Remuneração
- Combate a todas as formas de terceirização;
- Ampliação das contratações;
- Concurso público regionalizado;
- Isonomia salarial entre novos e antigos funcionários;
- Tíquete refeição e alimentação com valor equivalente a um salário mínimo,
- Rever o mapa de dotação de pessoal das unidades a partir do plano de negócios.
Saúde e Condições de trabalho
- CASF: fim da contribuição extra, aumento da contrapartida paga pelo banco;
- Combate as metas e ao assédio moral;
- Mapear as condições de trabalho das unidades, diante da precariedade de instalações e equipamentos;
- Proibição de transporte de valores feito por funcionários;
- Proibição de penalizações aos funcionários em agências nos casos de diferenças e furtos no transporte de valores por empresas terceirizadas.
            Depois de todo este debate, a direção da AEBA propôs, como forma de agregar, que os delegados aprovassem que a AEBA estará na mesa de negociação durante a campanha salarial, como sempre esteve. Esta proposta foi deixada de lado pela mesa para o final do congresso com a finalidade de não haver votação. E foi o que aconteceu. A maioria dos delegados presentes ao encontro queria que a AEBA participasse da mesa, o que foi negado pela direção da CONTRAF/CUT/PT, SEEB-PA, num total desrespeito ao processo democrático que sempre nortearam esses eventos. Após todo esse episódio, estes representantes do trabalhadores se retiram do evento, abandonando uma categoria que veio de longe para discutir e votar propostas que irão nortear nossa campanha salarial, bem como nossas vidas futuras. Que sindicalista são esses? Na verdade, são um bando de medrosos, pois sabiam que a AEBA tinha a maioria do  Congresso e com certeza ela estaria na mesa de negociação.
            Após a fugas dos “ratos”, foi criado uma nova mesa representada pelo SEEB-MA, SEEB-TO, SEEB-AM, AFBNB e AEBA, o que se fez a votação dos delegados presentes. Ou seja, 29 delegados presentes votaram pela AEBA estar na mesa de negociação. Que democracia é essa que não respeitam a base.  Vejam as fotos, inclusive a do bancário da CUT/PT:
 Mesa composta por representante da AFBNB(Henrique), SEEB-MA(Arnaldo), AEBA(Silvio), SEEB-TO(Crispim), SEEB-AM(Andréa e Miquilis).

 Os delegados votaram em peso para a AEBA estar na mesa de negociação!
A pelegagem ficou assustada com tamanha repercussão do debate, inclusive o cutista/petista
que está sentado de costa.


  

22 junho 2011

Lula, a canetada e a não Reforma Agrária.

Por Zelito F. Silva do Terra Livre

Lula terminou os oito anos de seus dois mandatos, sem realizar a tão prometida e esperada reforma agrária. Algo que prometeram fazer com uma “canetada”, mas pelo que vimos faltou tinta na caneta, faltou vontade política. Lula terminou o mandato com 87% de aprovação e se vangloriando de ter feitos mudanças no Brasil jamais realizadas por governos anteriores e, segundo a percepção da maioria da população, é isto que de fato ocorreu. O nosso povo se contenta com muito pouco, a percepção da população é a de que os governos anteriores cuidaram apenas dos interesses dos ricos, enquanto Lula foi bom para os pobres.

 O governo Lula não foi diferente dos governos anteriores: governou para os ricos e depois para os pobres, mas na retórica dizia que tratava primeiro dos pobres – por isto o slogan “Brasil um país de todos”. Veja quanto cresceu a renda dos pobres, veja quanto cresceu a renda dos ricos, dos bancos, das montadoras, do agronegócio, das mineradoras, das grades redes de supermercado, das empreiteiras. “Nunca antes na historia deste país”, obtiveram lucros tão altos, tanto é que apostaram na eleição de Dilma e não fizeram cerimônia na hora de realizar enormes doações para a campanha eleitoral. Por dento e por fora, preferiram Dilma à Serra, mesmo que  a candidatura deste fosse mais identificada com a direita e com o setor empresarial.

 “Ás vezes é preciso muda para tudo continuar como está”

Portanto, os governistas se vangloriam de terem realizado mudanças. É verdade. Fizeram mudanças, mas não realizaram nenhuma transformação. Porque do mesmo jeito que alguém – este governo ou outro – faz uma mudança pode desfazer, mas quando se faz uma transformação, não tem volta. Por exemplo, por mudança de orientação política ou por crise econômica, a bolsa-família pode ser retirada, o microcrédito pode ser retirado. Transferência de renda não é distribuição. A transferência de renda é realizada a partir da arrecadação dos impostos pelo Estado, se tivesse ocorrido distribuição de renda, os mais ricos teriam diminuído a sua renda e isto não ocorreu. Pelo contrário, os ricos ficaram mais ricos.

 A reforma agrária não sai do papel

Vamos aos fatos. Em 8 anos de governo Lula, não foi feita reforma agrária, mas sim política de distribuição de lotes. Tanto é assim, que o último censo agropecuário realizado pelo IBGE, constatou que a concentração de terras aumentou no Brasil. Outro dado é o que mostra que aumentou a concentração da produção agropecuária entre o latifúndio e o agronegócio, hoje 70% da produção está concentrada em apenas 4,2% dos estabelecimentos dos empresários rurais.

É a concentração da concentração, isto significa que os demais estabelecimentos rurais são praticamente improdutivos e, portanto, passíveis de desapropriação. Isto preocupa inclusive o setor. A presidente da CNA declarou em recente entrevista na CBN que vai reunir o setor para buscar uma saída para esta distorção, pois este setor de ponta do agronegócio – que está entre os 4,2% – achata os demais pegando a maioria dos recursos do governo por meio de créditos a médio e longo prazo.

A defesa do latifúndio com grandes extensões de terras é insustentável, porque com o emprego das novas tecnologias, pode-se produzir mais em pouco espaço. O agronegócio das empresas transnacionais e nacionais utiliza máquinas modernas, engenharia genética, transgênicos, nanotecnologia e, com isto, emprega pouca mão de obra, aumentando a produtividade com baixo custo, enquanto os demais latifundiários continuam entre o tradicional e moderno com baixa produtividade. Os estabelecimentos empresariais têm uma rentabilidade média bruta de R$358,00/ha por ano, enquanto os agricultores camponeses têm uma rentabilidade média bruta de R$ 677,00/ha por ano.

 Lula não cumpriu a promessa assumida com os movimentos em 2003, após receber dois mil sem-terras liderados pelo MST, CPT, MTL, CONTAG e MLST que realizaram uma marcha de dez dias de Goiânia à Brasília. Depois da realização de uma conferência, a proposta apresentada pelos movimentos era assentar um milhão ao longo de quatro anos. Também foi apresentado o II Plano Nacional de Reforma Agrária (II PRNA) e Lula se comprometeu a assentar 400 mil famílias, a assentar 120 mil famílias pelo crédito fundiário e regularizar outros tipos de assentamentos, o que também não foi cumprido. O governo anuncia que assentou 520 mil famílias, o que não bate com os dados dos movimentos, pois o governo contabiliza reassentamentos de atingidos por barragens, reposição de parcelas, regularização fundiária, reconhecimento de assentamentos antigos. O INCRA contabiliza todas estas famílias como novos assentamentos, o que não são.

O II PNRA apresentado pelo governo foi totalmente desfigurado e desidratado, não refletia a proposta original elaborada por uma comissão de servidores do INCRA e intelectuais liderados por Plínio de Arruda Sampaio e apresentada pelos movimentos. Lula terminou os dois mandatos sem revogar a medida provisória que proíbe a desapropriação de terras ocupadas de serem desapropriadas, não atualizou os índices de produtividade – que datam de 1975 e, neste período, a produtividade no campo nos grandes estabelecimentos rurais aumentou em média 30%. Lula também não reestruturou o INCRA, que continua sucateado. Os concursos realizados não preencheram nem 10% da necessidade, sendo que em média 30% dos funcionários aposentarão nos próximos cinco anos. Os servidores continuam com salários menores do que os servidores do Ministério da Agricultura (MAPA), sendo que a qualificação é a mesma: agrônomos, técnicos agropecuários, técnicos administrativos.

 Lula não revisou uma vírgula da legislação agrária. A burocracia continua a mesma: em media passam-se três anos para concluir um processo de desapropriação. Os assentamentos não têm assistência técnica e extensão rural, o que existe é apenas política de liberação de crédito.

 Os heróis de Lula agora são outros

 Lula priorizou o agronegócio agroexportador e chegou a chamá-los de “verdadeiros heróis nacionais”. Assim, manteve a agricultura camponesa e familiar como o patinho feio. Compare-se os recursos do orçamento para 2011 para o MAPA, R$17,9 bilhões, com os recursos do MDA, R$4,7 bilhões. Sendo que a agricultura camponesa e família é responsável por 70% dos alimentos consumido no mercado interno, por 3/4 dos empregos no campo, sem mencionar que o alimento produzido pela agricultura familiar é agroecológico. Não é demais lembrar que o Brasil lidera o consumo de produtos agrotóxicos em todo o mundo. Nos anos anteriores os recursos destinado para financiar o setor patronal – representado pelo MAPA – foi de R$93 bilhões, enquanto a agricultura camponesa – representada pelo MDA – recebeu apenas R$15 bilhões.

“No Censo Agropecuário 2006, foram identificados 6 mil estabelecimentos rurais destes, 4.367.902 são da agricultura familiar, o que representa 84,4% dos estabelecimentos brasileiros, este numeroso contingente de agricultores familiares ocupava uma área de 80,25 milhões de hectares, ou seja, 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros, estes resultados mostram uma estrutura agrária ainda concentrada no País: os estabelecimentos patronais, apesar de representarem 15,6% do total dos estabelecimentos, ocupavam 75,7% da área ocupada. A área  média dos estabelecimentos familiares e de 18,37 hectares, e o da patronal, de 309,18 hectares” (…) “A agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do País, como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno”.

1,6% dos grandes proprietários rurais ocupam 46,8% dos estabelecimentos, 51,4% são considerados improdutivos, isto representa 133 milhões de hectares. O Brasil tem uma extensão territorial de 8.514.876,6 km². Na prática, estes 1,6% dos grandes proprietários de terras representam 47 mil pessoas que são donas de 46,8% do território brasileiro, aproximadamente 3.984.96,1 km². Os demais 98,4% dos brasileiros habitam os 53,2% restante do nosso território.

 No caso do campo, os 4.238.447 estabelecimentos existentes equivalem a 420.345.362ha, sendo que 46,8% destes estabelecimentos está nas mãos de 1,6%, isto é, estes possuem 196.721.629ha. Os demais estabelecimentos rurais, 98,4%, dividem 223.623.732ha. Cada hectares (ha) equivale às dimensões de um campo de futebol ou uma quadra (quarteirão) na cidade, ou seja dez mil metros quadrados.

Segundo o IBGE, enquanto os estabelecimentos rurais inferiores a 10 hectares ocupam menos de 2,7% da área total ocupada pelos estabelecimentos rurais, aqueles com mais de mil hectares concentram mais de 43% da área total. Veja como ficaria se fosse distribuída a terra que está nas mãos dos 47 mil grandes proprietários em parcelas de 50ha por família: seriam criados 2.920.000 novos estabelecimentos agrícolas, assentando, aproximadamente, três milhões novas famílias de camponeses, ocupando diretamente, em média, 12 milhões de pessoas, criando 21 milhões de novos  postos de trabalho, já que a agricultura camponesa ocupa 15 pessoas a cada 100ha, enquanto o agronegócio ocupa em media 2,4 pessoas por 100ha, ou seja  gera atualmente 2 milhões e 400 mil empregos. Com isto poderia ser gerada uma renda média de R$99 bilhões por ano, contra os R$53 bilhões gerados atualmente pelo agronegócio, tendo em vista que os camponeses geram uma renda média por ha de R$677,00, enquanto que agricultura patronal gera apenas R$358,00 por ha.

Estes focam apenas nas exportações, pois o agronegócio prioriza a produção de grãos para o mercado externo, sendo altamente contaminador do meio ambiente com seus pesticidas. Mesmo assim, este setor abocanha a maior parte dos investimentos públicos, sendo premiado com o financiamento de monoculturas de produtos como a soja, – cujo plantio cresceu 88% entre 1996 e 2006 –-, a cana de açúcar ou o eucalipto numa completa inversão de qualquer lógica, atentando contra a justiça distributivista.

Enquanto isso, as agriculturas camponesas e familiares são responsáveis por 87% da produção nacional de mandioca, 77% do feijão-preto, 84% do feijão-fradinho, caupi, de corda ou macáçar e 54% do feijão de cor, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite de vaca e 67% do leite de cabra. Não é à toa que a cultura com menor participação da agricultura familiar foi a da soja (16%), um dos principais produtos da pauta de exportação brasileira.

A política do governo foi a de priorizar as reposições de parcelas para supostamente cumprir as metas de famílias assentadas, sai uma entra outra e ficamos como está, porque a reposição de parcela não altera a estrutura do latifúndio. Além disso, priorizou assentar famílias na região Norte, na Amazônia legal e legalizou a grilagem aumentando de 1000 hectares para 1500 hectares para os que tinham posse de terras da união – esta foi a chamada MP da grilagem. Os órgãos federais e estaduais – INCRA, IBAMA, ITER e secretarias estaduais de meio ambiente – não fazem trabalho conjunto para agilizar as licenças ambientais e, pelo contrário, competem entre si, atrasando ainda mais os processos de assentamento, enquanto agilizam os processos do setor empresarial. Os cartórios são verdadeiras máfias, costuma-se dizer que “o cartório é o local onde se legaliza os roubos, as grilagens e a corrupção”. Deveriam ser todos estatizados.

As conquistas através de concessões periféricas
As pequenas conquistas ainda não foram totalmente implementadas: obrigatoriedade das prefeituras de comprarem 30% da merenda escolar de agricultura familiar; Sistema Único de Assistência da Saúde Animal (SUASA), sistema que busca controlar a saúde animal da agricultura familiar; a lei que transforma o PRONERA em política pública saiu no apagar das luzes e, logo em seguida, os recursos para o programa foram cortados em 45%; créditos para a compra de tratores e o Programa de Aquisição de Alimento (PAA), que são executados pela CONAB, ainda são tímidos; o programa Luz para Todos, que foi o que mais avançou, mas esbarrou nos governos estaduais, a infra-estrutura nos assentamentos não encontrou uma saída para excursão e esbarrou também nos estados e nas prefeituras mesmo com dinheiro liberado.

 O Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustíveis (PNPB) não avançou. O que parecia uma alternativa econômica para os agricultores camponeses, foi para as mãos do agronegócio que utiliza o Selo de Combustível Social para obter isenções de impostos. Na prática, o Programa compra as oleaginosas do Agronegócio, ao invés de comprar da agricultura camponesa, tanto é que 80% da produção de Biodiesel se dá a partir da soja e não de mamona, pião manso, girassol, palma ou de outra oleaginosas que podem ser produzidas pelos camponeses. O programa foi um fiasco, colocou os agricultores camponeses nas mãos das empresas privadas produtoras de biodiesel que introduziram a monocultura nos assentamentos colocando, assim, em risco a produção de alimentos – sendo que as oleaginosas podem ser produzidas consorciadas com feijão e milho. A Brasil Ecodisel, uma da principais empresas, fechou e deixou centenas de famílias sem alternativas para vender sua produção.

 O MDA poderia ter assumido, junto com a Petrobrás e a Embrapa, o programa desde o início, mas foi só depois que várias famílias foram exploradas pelas empresas e tiveram suas expectativas frustradas que o governo criou a lei que obriga as empresas a comprarem 30% da agricultura familiar. Ainda assim, as empresas manipulam as estatísticas para continuar com o selo combustível social. A Petrobrás criou uma subsidiária para atuar no setor, a Petrobrás Bicombustível (Pbio), que iniciou parcerias com várias famílias de camponeses em alguns estados do nordeste e do sudeste atuando ainda em fase experimental. Porém a Petrobrás precisa, até 2013, colocar no Diesel 10% de Biodiesel, o chamado B10%, atualmente coloca-se 5% de Biodiesel na Composição do Diesel (B5%).

 É bem verdade que, em relação aos governos anteriores, houve aumento dos recursos destinados para créditos e para obtenção de terras, mas o fato concreto é que o governo terminou e a reforma agrária não foi feita, a concentração de terra aumentou, continuamos com aproximadamente 200 mil famílias acampadas, não temos uma política de assistência técnica e extensão rural, não erradicamos o analfabetismo no campo, as escolas do campo não foram implantadas, os gargalos de infra-estrutura e ambiental não foi resolvido, o escoamento da produção continua precário. Portanto “faltou tinta na caneta do Lula”.

 Êxodo rural e a necessidade da reforma agrária

Os problemas urbanos que enfrentamos nas áreas de saúde, educação, violência, habitação, trânsito, emprego precarizado, ou informal, estão ligados com o processo de migração do campo para a cidade. O êxodo rural, por insuficiência de terras, expulsão de camponeses, atração destes pela política de industrialização urbana, resultou em trabalhadores vindo para os centros urbanos para fazer trabalhos que não precisavam de qualificação profissional, já que estes trabalhadores, na sua maioria, eram analfabetos ou semi-analfabetos. Portanto foram e são explorados como os trabalhadores brasileiros que vão para os países da Europa ou os EUA que trabalham como pedreiros, faxineiros, garçons, empregados(as) domésticos(as).

 Este processo migratório ocorreu por falta de uma política de reforma agrária. Os espaços e os aparelhos urbanos nos grandes centros e nas cidades médias estão atrofiados, por um lado por falta de planejamento urbano, especulação imobiliária, corrupção dos agentes públicos, mas, por outro lado, parte destes problemas é causada pelo inchaço e por ocupações desordenadas das cidades, por falta de políticas publicas tanto para o campo quanto para as cidades. A sociedade brasileira precisa fazer uma reparação histórica com os camponeses que ainda resistem e tantos outros que pretendem ter uma terra. Nesta questão encontram-se as raízes das favelas, com pessoas morando amontoadas nas encostas dos morros, nas margens dos córregos, nos fundos de vales.

 Durante a escravidão no Brasil, muitos escravos que fugiam das senzalas, para escapar da repressão, escondiam-se em locais de difícil acesso – para não serem encontrados e onde poderiam organizar alguma forma de defesa. Depois, com a libertação definitiva, os escravos não tinham outra alternativa: sem trabalho, sem comida, com as áreas planas ocupadas pelos senhores, os escravos (e depois os pobres brancos) não tinham alternativa a não ser continuar morando nas margens dos córregos, nos topos dos morros. Como disse Joaquim Nabuco, “libertaram os escravos e aprisionaram a terra” e agora temos negros e brancos largados à própria sorte.

 A cada ano, tragédias acontecem com desmoronamentos e cheias. O campo abrigava 80% da população e agora apenas 19% da população, isto é, aproximadamente 36 milhões de pessoas. Destas, 27 milhões são trabalhadores camponeses e assalariados rurais e, apenas por volta de 9 milhões de  pessoas pertencem à classe patronal.

 Portanto, a reforma agrária é uma política que mesmo no atual sistema capitalista é transformadora, porque pode frear o inchaço dos espaços urbanos, pode aumentar a produção de alimento saudável com preços mais baixos, pode proteger o meio ambiente e nossa diversidade ambiental, pode aumentar o emprego de força de trabalho no campo e, com isto, gerar crescimento na economia interna desenvolver os território nas micro-regiões e a médio prazo alcançar a soberania alimentar e nutricional.

 Se a reforma agrária for realizada não se acabará com miséria. Mas realizar a reforma agrária é diferente de fazer apenas mudanças. A reforma agrária é transformação, porque, ao desapropriar um latifúndio que é mantido por uma única família que explora a força de trabalho de 4 ou 5 trabalhadores, dezenas ou centenas de famílias passarão a viver e produzir gerando trabalho e renda  para outras dezenas e centenas.


Segundo mandato de Lula

O segundo mandato de Lula foi pior que o primeiro para a reforma agrária. Contou com a complacência dos maiores movimentos sem-terra que adotaram a teoria de que é melhor pingar do que faltar, porque a direita poderia voltar, a correlação de forças não permitiria avançar mais e que a coalizão seria necessária para manter a governabilidade. Com isto Lula colocou nas superintendências regionais representantes dos partidos de direita, isto é, estes passaram a dirigir os INCRAs para que o governo pudesse atender a base de apoio no congresso nacional.

 Lula focou o desenvolvimento e não a obtenção de novas terras, como se uma coisa fosse contraposta a outra, quando, na verdade, uma complementa a outra. Ao final não fez obtenção de terras suficientes para assentar as famílias que reivindicam terra e não desenvolveu os assentamentos. Esta dinâmica regressiva se apresenta na diminuição das desapropriações em 2010, que, segundo a CPT, foi de 44% no número de famílias assentadas, 72% na quantidade terras destinadas para reforma agrária, enquanto cerca de três mil comunidades quilombolas continuam aguardando titulação de suas terras em 24 estados.

 Infelizmente, com a demora para obter terras, as famílias esvaziaram os acampamentos e com esta desmobilização, sem base social, os movimentos não conseguem ter força para pressionar e negociar novos assentamentos. Outro fator nisto foi o crescimento da economia que aumentou os empregos e as políticas compensatórias de transferência de renda. Com isto muitas famílias que antes, por falta de trabalho, buscavam os acampamentos deixaram de fortalecer o movimento. Portanto, os movimentos camponeses vivem um momento difícil: por um lado desmobilizados, por outro os sem-terras nutrem simpatia pelo ex-mandatário do nosso país e pela sua substituta. Dilma, pelo que vimos na campanha e nos seu discurso de posse, não vai priorizar a reforma agrária, apenas disse que apóia a agricultura familiar. Também se não apoiasse seria demais, já que as áreas pacificadas não geram conflito e, afinal, a agricultura familiar vai do cara que possui 10ha no nordeste ao que possui 400ha no norte – pois é considerado como agricultura familiar até 4 módulo fiscais e isto varia de tamanho de estado para estado. Além disso, a agricultura familiar é necessária para o sistema: ela é responsável por 70% dos alimentos que abastecem o mercado interno. Se não existir uma política mínima de incentivo surge o desabastecimento, pois a agricultura patronal só se preocupa em exportar.

 Por hora os sem-terra estão dispostos a esperar. Não podemos substituir os trabalhadores, “não podemos transformar nossos desejos em realidade ou enquadrar a realidade nos nossos desejos”. Teremos que ter paciência histórica, porque a causa é justa, tem viabilidade política e econômica. O povo precisa de comida, ainda não se produz em larga escala diversos produtos: feijão, arroz, milho e outros alimentos em laboratório. Existe uma parcela da população que quer terra, existe outra que apóia. A concentração de terras é enorme, seguiremos cutucando o cão com vara bem cumprida, esperando o momento em que as contradições do sistema nos ofereça uma oportunidade para fazermos ações e mobilizações. Por hora, cabe resistir com um pé no campo e outro na cidade, fazendo o combate político e ideológico.

 Mesmo com todas estas contradições, as famílias que vivem no campo, seja nos assentamentos ou em pequenas propriedades, vivem melhor que os povos que vivem nas cidades do ponto de vista da alimentação, do estresse, livres da poluição, da violência, do trânsito caótico e outras coisas que os centros urbanos oferecem. Portanto, os assentamentos não são favelas rurais, apenas precisam de suporte técnico e financeiro, um Sistema Único de Assistência Técnica e Extensão Rural (SUATER).

 O campo e a cidade precisam viver em harmonia, um depende do outro no que diz respeito tanto aos recursos materiais e humanos, quanto às tecnologias e os bens de consumo. Para os homens inseridos nestes espaços, campo e cidade, o que não combina é a exploração, a ausência de controle sobre os recursos naturais e o consumo desenfreado dos bens somente por aqueles que detêm o capital.

 Defendemos:

    1. Reforma Agrária, ampla e massiva sobre o controle dos trabalhadores.
   2. Limitar o tamanho da propriedade em 1000 ha.
   3. Atualização dos índices de produtividade.
   4. Revogação da medida provisória que proíbe terras ocupadas de serem desapropriadas.
   5. Assistência técnica e extensão rural ampla e universal, um tipo de SUS para o campo.
   6. Implantação das escolas do campo.
   7. Reestruturação do INCRA, concursos para contratação de novos servidores.
   8. Recadastramentos dos imóveis unificados com os estados.
   9. Criação de varas e promotorias especiais agrárias.
  10. Desburocratização da legislação e pelo rito sumário para julgamento dos processos agrários.
  11. Barrar as mudanças no código florestal.

Por fim, os dois mandatos terminaram e Lula não deu a canetada. Saiu  com seus 87% de popularidade, enquanto 1,6% dos grandes proprietários  concentram 46,8% das terras agriculturáveis do nosso país, 40,4% do PIB é destinado para amortizar a dívida e mais 8,75% para pagar juros e os serviços da dívida. Os banqueiros, os empreiteiros e o povo estão felizes como nunca ficaram na história deste país, enquanto a reforma agrária não saiu do papel.


Fontes de pesquisa

NERA, CPT, INCRA/MDA, IBGE, CENSO AGROPECUÁRIO DE 2006.
 
Fonte: CSP-Conlutas

11 junho 2011

Redescobrindo Cabral: um governo marcado pela truculência e repressão Em quatro anos e meio , o governador do Rio já deu inúmeras mostras que seu principal alvo é a população pobre e os movimentos sociais Da redação Governador Sérgio Cabral tem seu mandato marcado pela truculência • As cenas da truculenta repressão do Bope contra os bombeiros amotinados no Rio chocaram o país e mostraram a face de um governo que prima pela criminalização dos movimentos sociais e a violência contra a população pobre. Além de mandar prender 439 bombeiros, Cabral convocou a imprensa para chamar os grevistas de “vândalos”, gerando uma onda de indignação nos mais diferentes setores. Os moradores do Rio, porém, já conhecem bem a verdadeira face do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), aliado do governo Federal que desde 2007 ocupa o Palácio da Guanabara. Foi sob seu comando que o estado recrudesceu uma política de repressão contra os trabalhadores e o povo pobre, sob o pretexto de combater a violência dos morros. Orientação essa que já custou inúmeras vidas. Dos pobres, é claro. Guerra à população pobre Logo depois que Cabral assumiu, o governo empreendeu uma ação militar nos morros que formam o Complexo do Alemão. O objetivo era “pacificar” a área semanas antes dos Jogos Pan-americanos. Mais de 1300 homens da Polícia Militar, Polícia Civil e a da Força de Segurança Nacional invadiram e ocuparam por alguns dias a área. As forças de segurança sob o comando do secretário José Mariano Beltrame deixaram um rastro de 19 mortos. Muitos deles, descobriu-se depois, não tinha passagem pela polícia ou qualquer envolvimento com o tráfico. Houve ainda uma série de denúncias de roubos e agressões dos policiais contra os moradores. Já em 2008, outro fato que mostrou a violência seletiva da polícia de Cabral. Três jovens foram presos por onze militares do Exército que faziam parte do efetivo que protegia as obras do PAC no Morro da Providência. Os jovens foram entregues a traficantes do rival Morro da Mineira e barbaramente torturados e executados. Os assassinatos geraram comoção e protestos dos moradores e dos próprios operários do PAC contra a presença das Forças Armadas no local. Apresentados pelo governo estadual como modelo de segurança pública, as UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) fazem parte de uma política de ocupação militar e repressão das comunidades pobres, a exemplo do que as tropas da ONU fazem no Haiti. ”Vagabundos Se para a população pobre o governo Cabral usa a política da bala, para os movimentos sociais não é diferente. Truculência, arrogância e prepotência foram as marcas de seu governo nesses quatro anos. Em setembro de 2008, por exemplo, diante de uma greve dos profissionais da saúde contra o caos da rede pública e por reajuste, o governador chamou os grevistas de “safados” e “vagabundos” e determinou a demissão de cinco médicos. Na época, Cabral declarou uma "guerra permanente contra os médicos sem compromisso com a população". PM aponta pistola para manifestante Já em 2009 foi a vez dos professores do estado sentiram na pele a truculência de Sérgio Cabral. Durante uma manifestação que reuniu milhares de trabalhadores da educação em greve, em setembro daquele ano, o governador jogou a Tropa de Choque em cima dos professores. Bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha foram lançados de forma indiscriminada contra os educadores, deixando um saldo de mais de 10 feridos. A foto de um PM apontando uma pistola pra uma manifestante estampou os jornais do dia seguinte. Em 2011, outro ataque contra os movimentos sociais. Um dia antes da visita de Barack Obama ao Brasil, em março, 13 manifestantes que protestavam contra o presidente norte-americano são presos, incluindo uma senhora de 69 anos e um adolescente menor de idade. Nove eram do PSTU. Numa clara retaliação política, eles ficam 72 horas detidos e os homens têm a cabeça raspada. Manifestantes são libertados após mais de 70 horas detidos Uma outra imagem que serve para ilustrar o caráter fascistóide desse governo é a fotografia de um policial militar lançando um spray de pimenta no rosto de uma criança. O gesto de sadismo e crueldade ocorreu durante a repressão a um protesto de moradores desabrigados do Morro do Bumba neste ano. Fascista O governador do Rio não tem a menor preocupação em esconder sua tendência fascista e preconceituosa contra a população pobre. Em entrevista ao Portal G1 em 2007, Cabral chegou a defender o aborto às mulheres pobres como forma de reduzir a criminalidade. Segundo ele, a alta taxa de fertilidade da população pobre “tem tudo a ver com violência”. “Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”, disse. Em 2010, uma outra declaração infeliz. Dessa vez ao lado de Lula, durante a vistoria de uma quadra esportiva. Um garoto pobre da comunidade se aproxima de Cabral e Lula, reclama que a quadra não abre para os moradores. A fala repercutiu pois Lula disse ao menino que o esporte que ele praticava, tênis, seria "esporte da burguesia". Cabral não fica atrás. Quando o menino reclama que acorda todo dia com o caveirão na porta de casa, o governador diz "mas e o tráfico?". Logo em seguida dispara contra o garoto: "você está fazendo discurso de otário". Logo depois ainda diz “Você é sacana, você não em engana não, seu sacana". A agressão aos bombeiros em greve é, assim, o estopim de uma escalada de falas e práticas do governo estadual que tem os pobres e os movimentos como alvo. A união das diversas categorias mobilizadas, porém, como os professores que acabaram de entrar em greve, pode pôr um fim nesse governo fascista. E calar a boca de Cabral.



 


 
 
    Governador Sérgio Cabral tem seu mandato marcado pela truculência
Vejam as cenas de Cabral. Um alido de Lula!!!!!!!
• As cenas da truculenta repressão do Bope contra os bombeiros amotinados no Rio chocaram o país e mostraram a face de um governo que prima pela criminalização dos movimentos sociais e a violência contra a população pobre. Além de mandar prender 439 bombeiros, Cabral convocou a imprensa para chamar os grevistas de “vândalos”, gerando uma onda de indignação nos mais diferentes setores.

Os moradores do Rio, porém, já conhecem bem a verdadeira face do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), aliado do governo Federal que desde 2007 ocupa o Palácio da Guanabara. Foi sob seu comando que o estado recrudesceu uma política de repressão contra os trabalhadores e o povo pobre, sob o pretexto de combater a violência dos morros. Orientação essa que já custou inúmeras vidas. Dos pobres, é claro.

Guerra à população pobre
Logo depois que Cabral assumiu, o governo empreendeu uma ação militar nos morros que formam o Complexo do Alemão. O objetivo era “pacificar” a área semanas antes dos Jogos Pan-americanos. Mais de 1300 homens da Polícia Militar, Polícia Civil e a da Força de Segurança Nacional invadiram e ocuparam por alguns dias a área.

As forças de segurança sob o comando do secretário José Mariano Beltrame deixaram um rastro de 19 mortos. Muitos deles, descobriu-se depois, não tinha passagem pela polícia ou qualquer envolvimento com o tráfico. Houve ainda uma série de denúncias de roubos e agressões dos policiais contra os moradores.

Já em 2008, outro fato que mostrou a violência seletiva da polícia de Cabral. Três jovens foram presos por onze militares do Exército que faziam parte do efetivo que protegia as obras do PAC no Morro da Providência. Os jovens foram entregues a traficantes do rival Morro da Mineira e barbaramente torturados e executados. Os assassinatos geraram comoção e protestos dos moradores e dos próprios operários do PAC contra a presença das Forças Armadas no local.

Apresentados pelo governo estadual como modelo de segurança pública, as UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) fazem parte de uma política de ocupação militar e repressão das comunidades pobres, a exemplo do que as tropas da ONU fazem no Haiti.

”Vagabundos
Se para a população pobre o governo Cabral usa a política da bala, para os movimentos sociais não é diferente. Truculência, arrogância e prepotência foram as marcas de seu governo nesses quatro anos. Em setembro de 2008, por exemplo, diante de uma greve dos profissionais da saúde contra o caos da rede pública e por reajuste, o governador chamou os grevistas de “safados” e “vagabundos” e determinou a demissão de cinco médicos. Na época, Cabral declarou uma "guerra permanente contra os médicos sem compromisso com a população".


PM aponta pistola para manifestante

Já em 2009 foi a vez dos professores do estado sentiram na pele a truculência de Sérgio Cabral. Durante uma manifestação que reuniu milhares de trabalhadores da educação em greve, em setembro daquele ano, o governador jogou a Tropa de Choque em cima dos professores. Bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha foram lançados de forma indiscriminada contra os educadores, deixando um saldo de mais de 10 feridos. A foto de um PM apontando uma pistola pra uma manifestante estampou os jornais do dia seguinte.

Em 2011, outro ataque contra os movimentos sociais. Um dia antes da visita de Barack Obama ao Brasil, em março, 13 manifestantes que protestavam contra o presidente norte-americano são presos, incluindo uma senhora de 69 anos e um adolescente menor de idade. Nove eram do PSTU. Numa clara retaliação política, eles ficam 72 horas detidos e os homens têm a cabeça raspada.


Manifestantes são libertados após mais de 70 horas detidos

Uma outra imagem que serve para ilustrar o caráter fascistóide desse governo é a fotografia de um policial militar lançando um spray de pimenta no rosto de uma criança. O gesto de sadismo e crueldade ocorreu durante a repressão a um protesto de moradores desabrigados do Morro do Bumba neste ano.



Fascista
O governador do Rio não tem a menor preocupação em esconder sua tendência fascista e preconceituosa contra a população pobre. Em entrevista ao Portal G1 em 2007, Cabral chegou a defender o aborto às mulheres pobres como forma de reduzir a criminalidade. Segundo ele, a alta taxa de fertilidade da população pobre “tem tudo a ver com violência”. “Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”, disse.

Em 2010, uma outra declaração infeliz. Dessa vez ao lado de Lula, durante a vistoria de uma quadra esportiva. Um garoto pobre da comunidade se aproxima de Cabral e Lula, reclama que a quadra não abre para os moradores. A fala repercutiu pois Lula disse ao menino que o esporte que ele praticava, tênis, seria "esporte da burguesia". Cabral não fica atrás. Quando o menino reclama que acorda todo dia com o caveirão na porta de casa, o governador diz "mas e o tráfico?". Logo em seguida dispara contra o garoto: "você está fazendo discurso de otário". Logo depois ainda diz “Você é sacana, você não em engana não, seu sacana".

A agressão aos bombeiros em greve é, assim, o estopim de uma escalada de falas e práticas do governo estadual que tem os pobres e os movimentos como alvo. A união das diversas categorias mobilizadas, porém, como os professores que acabaram de entrar em greve, pode pôr um fim nesse governo fascista. E calar a boca de Cabral.



06 junho 2011

Ato festa de 1 ano da CSP-Conlutas resgata história e reforça desafios da Central em ato que emociona os presentes.

O evento começou por volta das 19h numa noite fria de São Paulo. Aos poucos foram chegando trabalhadores metalúrgicos, químicos, servidores públicos, estudantes, bancários, trabalhadores do movimento popular, das lutas contra a opressão, trabalhadores do campo. De repente, cerca de 500 pessoas ocupavam o salão onde seria o ato. Ali ficava claro que a história da CSP-Conlutas é escrita por meio da história de cada trabalhador, cada trabalhadora, que dedica a sua vida à luta por construir um mundo melhor.

O Sindicato dos Metroviários que por tantos anos estava sob o comando da CTB, agora recebia os lutadores da CSP-Conlutas para comemorar seu aniversário de 1 ano. Atnágoras Lopes e Vanessa, do MTST, assumiram a mesa para receber os convidados. Foi o presidente da “Casa”, Altino Prazeres, quem abriu o ato político.  Ele falou da importância daquele ato acontecer no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, “uma importante conquista da Central para a luta dos trabalhadores”, e que isso era uma expressão do crescimento da CSP-Conlutas.

A professora Amanda Gurgel também veio comemorar o aniversário e alertou aos presentes que sua militância não havia começado na internet. “Eu estive no congresso que fundou a Conlutas e no congresso que fundou a CSP-Conlutas e desde 2005 não tenho feito outra coisa a não ser defender a minha categoria”. Amanda lembrou ainda que não é uma celebridade e sim uma militante da luta dos trabalhadores. Muito aplaudida, finalizou puxando a palavra de ordem pela educação: “No twitter ou nas ruas, qual a reivindicação? 10% do PIB para a Educação”.

Quem representou a organização parceira nas lutas há muitos anos, a Pastoral Operária, foi Paulinho Pedrini, que lembrou que também a acompanha a trajetória da Central e saudou o aniversário de 1 ano. Paulinho aproveitou para falar da importância da luta contra a construção da usina de Belo Monte que vai afetar pelo menos 40 mil pessoas com a inundação das pequenas cidades da região, além dos problemas que trará ao meio ambiente.

Aquele ato realmente mostrava o quanto a Central vem crescendo na luta dos trabalhadores brasileiros. Estava presente na mesa representando a CPT (Comissão Pastroal da Terra) Fábio Lourenço, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Anapu (PA), cidade onde foi assassinada a Irmã Doroty. O sindicato não é filiado à Central, mas seu representante havia vindo para o debate do dia anterior na reunião da Coordenação Nacional, para discutir a questão agrária no Brasil, quando a votação do Novo Código Florestal imputa um retrocesso na questão agrária no país e cuja expressão imediata é o assassinato de cinco trabalhadores rurais em uma semana. Fábio saudou a Central por ter encontrado ali uma organização que defende a luta dos povos das florestas.

O MST foi representado por Simone que parabenizou o 1 ano da Central em nome de sua organização, convidou a todos para participar da marcha pela retomada das terras públicas, no próximo dia 18, e finalizou denunciando as mortes no campo e chamando a luta: “A cada assassinato na classe trabalhadora, nenhum minuto de silêncio, mas uma vida de luta”.

Zé Maria de Almeida, que estava desde a fundação da Conlutas, representou PSTU, reforçando que a Central é pequena, mas é capaz de abraçar os desafios que estão postos no momento para a classe trabalhadora, salientou ainda a importância da direção na luta dos trabalhadores. “Temos [os trabalhadores] grandes desafios pela ausência de direção de lutas aqui, na Europa, em tantos lugares. Por isso, precisamos ter dimensão dos nossos desafios, precisamos de direções capazes de direcionar essas lutas”.

Atnágoras finalizou o ato resgatando a importância da luta internacional e informando que dirigentes da CSP-Conlutas, naquele momento, estavam viajando para outros países se solidarizar com as lutas internacionais. “Dirceu Travesso e Clara Saraiva, dirigente da Anel, estão no Egito num congresso de trabalhadores e amanhã o companheiro da Executiva, Cacau, e os dirigentes da construção civil de Fortaleza, Zé Batista, e do Pará, Cléber Rabelo, irão para França para o congresso do Solidarité, uma organização de luta dos trabalhadores franceses”.

Para encerrar, a dirigente do Sepe, Vera Nepomuceno, leu uma poesia de Atnágoras sobre a história da CSP-Conlutas e da luta dos trabalhadores emocionando o plenário.

Um vídeo, exibido após o ato, resgatou a história da Central. Em cada imagem uma luta foi mostrada, desde as cidades, as categorias, os locais de trabalho, as escolas; em cada lugar desse país. Como havia frisado Zé Maria, o vídeo mostrou que a CSP-Conlutas é pequena, mas é capaz de abraçar os desafios de luta que estão postos nesse momento. Cada um que se viu naquele vídeo, que viu sua categoria sentiu-se recompensado por lutar.

Quando a cantora Cida Lobo e sua banda entraram no palco, os convidados se animaram e muitos dançaram durante todo o show, numa festa que se encerrou a meia noite, já que no dia seguinte parte dos presentes continuavam os debates no último dia da reunião da Coordenação Nacional.
Vejam as fotos do evento:
 Mesa de abertura da reunião da coordenaçao nacional da CSP-Conlutas.
Companheiros Louro(PJR), Acácio, Atenágoras e companheira do ANDES da Bahia.
Uma foto com a companheira Amanda Gurgel, professora do RN
Companheiro Cleber, do Sindicato da construção civil do Pará
Companheiro Mancha e lideranças do Estado do Maranhão.
Mancha e Eu posando para a foto!
Companheiros Louro, Fábio(Anapú) e Alex(PJR)
Mesa de abertura na festa no sindicato dos metroviários de São Paulo.
Companheiro Fábio, muito atento na mesa de abertura.